Há mais de cinco milhões de anos, golfinhos nadaram através do Oceano Atlântico até o Rio Amazonas. O boto cor-de-rosa já foi a mais bem-sucedida espécie de golfinho, mas agora ele corre perigo. O projeto The Preservation of the Amazonian River Dolphin (PARD) está trabalhando com as comunidades locais para proteger os últimos remanescentes destes golfinhos, e assegurar sua existência para as próximas gerações.
Com seu bico comprido, olhos minúsculos e ausência de espinha dorsal, o boto cor-de-rosa é uma criatura enigmática que vive no coração da Bacia Amazônica. Ninguém sabe o que confere essa coloração tão incomum a estes golfinhos. Talvez sejam os vasos sangüíneos capilares próximos à superfície da pele, ou certas substâncias químicas presentes na água.
Nas últimas décadas, a pesca ilegal e os encontros fatais com redes de nylon reduziram drasticamente a população do boto cor-de-rosa. A comunidade local, que sempre viveu em harmonia com os botos, começou a matá-los por crenças supersticiosas.
O projeto PARD funciona desde 1986, e desde então trabalha com as comunidades ribeirinhas para assegurar a sobrevivência do boto cor-de-rosa. Ele ajudou a estabelecer uma cooperativa de 10 vilas, que vendem artesanato local. Com os benefícios trazidos por turistas e pesquisadores, a comunidade agora vê o boto como um recurso precioso que deve ser protegido. O PARD também oferece outros serviços à população, como atendimento médico e melhoria do sistema de esgotos.
O PARD estabeleceu a primeira reserva para os botos cor-de-rosa em uma área de proteção de 1.600 hectares. Também trabalha com as autoridades para deter o desmatamento, e patrulha os rios para prevenir a pesca ilegal.
Ninguém sabe quantos botos cor-de-rosa ainda restam. Mas devido ao programa de conservação PARD, os botos aumentaram de oito para 45 indivíduos em 18 anos, na região de Yapara.